Principais questionamentos e soluções
Os primeiros estudos ambientais do empreendimento de Tijuco Alto foram apresentados no início da década de 1990 aos órgãos de licenciamento dos estados de SP e PR, que emitiram parecer favorável (LP) à continuidade dos estudos para a implantação do empreendimento. Diversas manifestações por parte da sociedade civil, questionando os estudos realizados e a viabilidade do empreendimento, culminaram com a anulação dos pareceres favoráveis das respectivas Secretarias Estaduais, remetendo os estudos, até então realizados, ao órgão federal competente, o IBAMA, para avaliação.

Os principais questionamentos feitos à época, agora respondidos pelos novos estudos, foram:

As águas do rio Ribeira estão contaminadas por metais pesados, principalmente o chumbo. A formação do lago da UHE Tijuco Alto vai favorecer a contaminação?

Não, Tijuco Alto não irá favorecer a contaminação do rio Ribeira.

Desde os primeiros estudos para o processo de licenciamento da UHE Tijuco Alto, as águas do rio Ribeira têm sido analisadas por equipe especializada contratada pela CBA. Os pontos de coleta foram estabelecidos tanto a jusante como a montante do eixo do barramento projetado. As últimas campanhas de coleta de água foram realizadas em dezembro de 2004 e março de 2005. Nos estudos ambientais também foram analisados os resultados do inventário trimestral realizado no período de dezembro de 1995 e setembro de 1996.

Além do monitoramento contínuo, a CBA, no ano de 2004, retirou 60.000 m3 de rejeitos de mineração de chumbo da antiga Mineração do Rocha, depositados até então às margens do rio do Rocha, depositando-os em local construído segundo normas técnicas vigentes, localizado fora da área do reservatório. Esta ação contou com a aprovação do Instituto Ambiental do Paraná – IAP.


Das análises efetuadas, os principais resultados foram:

- O rio Ribeira possui águas alcalinas e com grande poder de tamponamento. Os estudos efetuados comprovaram que o chumbo não se encontra disponível nas suas águas, mas preso nos sedimentos do fundo do rio.

- Conforme os estudos de qualidade da água realizados, não se verifica a presença de chumbo nas águas do rio Ribeira atualmente, ao longo dos anos verificou-se uma queda nos níveis deste metal pesado.
Verifica-se presença de chumbo somente nos sedimentos, restrito ao rio do Rocha,  afluente da margem direita do rio Ribeira, em decorrência da presença de rejeitos de mineração de chumbo da Mina do Rocha. No entanto, também vem decaindo desde que a CBA retirou os rejeitos das margens do rio em 2004.
A presença de metais pesados na água, não só no trecho de Tijuco Alto, mas como em todo o Vale do Ribeira vem decaindo, devido ao fechamento das minerações, conforme demonstram também em estudos realizados pela CETESB.

- Experimentos realizados pela Universidade Federal de São Carlos demonstram que o Reservatório de Tijuco Alto não deverá se constituir em um ambiente ácido, mesmo nas condições mais críticas de anaerobiose. Dessa forma, o ambiente alcalino do reservatório projetado irá propiciar a precipitação e a imobilização química de nutrientes (P) e de cátions metálicos (Pb, Cu, Zn, Fe), atenuando o potencial de eutrofização e de contaminação do reservatório.

- O arranjo das estruturas hidráulicas (vertentes e tomada d’água), situados na faixa da camada do epilímnio (camada superior do reservatório), garante boa qualidade da água para jusante da barragem projetada.

Como a UHE Tijuco Alto vai poder controlar as cheias do rio, evitando catástrofes como a de 1997?


O reservatório de Tijuco Alto deverá operar entre níveis d’água mínimo normal de 285 m e máximo normal de 290 m. O NA máximo maximorum é 300 m.

Esses 10 m de diferença (entre a cota 290 e a cota 300 m) propiciarão um volume de espera de 476,51 x 106 m³ (476 bilhões de litros), o que possibilitará o escoamento da cheia decamilenar, cujo pico atinge 4.308 m3/s.

Desta forma, a implantação da UHE Tijuco Alto terá como impacto positivo para a população residente a jusante da barragem os abatimentos das ondas de cheias, benefício que se estenderá até a localidade de Sete Barras (SP). Evitando a ocorrência de cheias como a de 1997.

Para a realização das análises foi considerada a maior cheia registrada na bacia do rio Ribeira, ocorrida em 27 de janeiro de 1997, com valores de vazões máximas diárias registradas na estação de Capela da Ribeira da ordem de 2.726 m3/s, o que se aproxima de uma cheia com período de retorno de 100 anos. No local do futuro eixo da UHE Tijuco Alto os valores de pico foram estimados em 2.385 m3/s.

No Quadro a seguir são apresentados os benefícios auferidos pelos abatimentos das ondas de cheias em diversos municípios situados a jusante de Tijuco Alto e lateralmente ao curso do rio Ribeira, os quais são afetados pelas ondas das grandes cheias que veiculam nesse manancial.

ABATIMENTOS DAS ONDAS DE CHEIAS – EVENTO DE JANEIRO DE 1997

Local

Condições médias
(m)

Cheia de Janeiro de 1997
(m)

Altura da lâmina d’água em relação às condições médias
(m)

Sem
Tijuco Alto

Com
Tijuco Alto

Sem
Tijuco Alto

Com
Tijuco Alto

 Tijuco Alto

167,7

182,8

174,6

15,1

6,9

 Ribeira

156,7

165,2

161,1

8,5

4,4

 Itaóca

0,9

7,2

4,1

6,3

3,2

 Iporanga

1,1

8,0

5,4

6,9

4,3

 Eldorado

1,9

13,1

8,9

11,2

7,0

 Sete Barras

1,1

9,2

7,0

8,1

5,9


No Quadro os níveis d’água máximos da cheia ocorrida em janeiro de 1997 são comparados com os valores médios observados nas respectivas estações fluviométricas.

Verifica-se que os benefícios decorrentes do aproveitamento de Tijuco Alto são significativos, embora progressivamente decrescentes, na medida em que se dirige para jusante, face às afluências das contribuições laterais recebidas ao longo de seu percurso, os quais se encontram fora do controle da operação da usina. Em Registro, os abatimentos das ondas de cheias motivados pela presença da UHE Tijuco Alto serão menores em função da expressiva contribuição oriunda da bacia do rio Juquiá que compreende uma área de aproximadamente de 5.450 km2.

Outro aspecto a ser ressaltado quanto ao controle de cheias refere-se à localização das precipitações, pois os maiores benefícios promovidos pelo aproveitamento ocorrem quando o núcleo chuvoso das tormentas se posiciona na parcela da bacia situada a montante do eixo de Tijuco Alto.

Em condições meteorológicas inversas, quando o núcleo chuvoso se posiciona nas porções médias e baixas da bacia, os efeitos de amortecimento das ondas de cheias serão atenuados ou mesmo anulados, já que a principal parcela das vazões contribuintes deverá provir das porções a jusante do eixo, portanto fora da influencia do controle operacional de Tijuco Alto.


Tijuco Alto vai inundar as cavernas do Vale do Ribeira, destruindo seu patrimônio turístico. Além disso, a região é um queijo suíço, vai vazar água para todo o lado.

A afirmação é incorreta, pois os estudos efetuados demonstram que 89% das feições cadastradas (cavernas, feições secundárias, dolinas e uvalas) estão localizadas acima do nível máximo que será atingido pelo reservatório (cota 300 m).

Das 450 dolinas, 52 cavidades naturais subterrâneas e 59 feições secundárias, além de 4 sumidouros e 8 ressurgências, o reservatório irá inundar somente duas Cavidades Naturais Subterrâneas: a Gruta do Rocha e a Gruta da Mina do Rocha, ambas de pouca expressão enquanto atributo geológico ou beleza e com dimensões reduzidas.

A partir dos levantamentos foi possível fazer um mapeamento das cavernas de acordo com as suas cotas de localização. Isto pode ser visualizado no quadro síntese do patrimônio espeleológico.

Com relação à afirmação de que a região é um “queijo suíço”, além do mapeamento de cavernas demonstrar haver somente duas grutas que serão afetadas, foram realizadas diversas sondagens na área que demonstram a rigidez do terreno para a construção da barragem. Em função das altas declividades de suas encostas, o vale do rio Ribeira é extremamente encaixado na área de formação do futuro reservatório da UHE Tijuco Alto. Desta forma, o lago da barragem ficará restrito aos vales das principais drenagens, relativamente distante dos divisores de água da bacia de contribuição.

A estruturação das rochas mostra que toda a circulação subterrânea da água ficará restrita à área da bacia de contribuição do rio Ribeira, a montante do eixo do barramento, com as mesmas direções e sentidos de fluxo atuais, não havendo, portanto, possibilidade de fuga da água em qualquer região do reservatório.

As Comunidades Quilombolas serão afetadas pela UHE Tijuco Alto?

Não. Absolutamente, Tijuco Alto não afetará quilombos, pois está a 42 km a montante do núcleo quilombola mais próximo.

Dentre os questionamentos efetuados à época, destaca-se a afirmação de que as Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, localizadas a jusante do eixo projetado da barragem de Tijuco Alto, viriam a sofrer impactos com sua construção. Tal afirmação gerou uma série de polêmicas na sociedade, tornando-se uma questão política.

Os bairros Quilombolas do Vale do Ribeira localizam-se fora das áreas de influência da UHE Tijuco Alto, não vindo a sofrer quaisquer interferências diretas com a sua construção, podendo inclusive serem beneficiados no tocante ao controle de cheias (tendo em vista a cheia ocorrida em 1997). A distância da barragem até Porto Velho, que é o bairro mais próximo do eixo, é de 42 km pelo curso do rio, a jusante.

No entanto, como existem mais outros três barramentos inventariados a jusante de Tijuco Alto e, no dizer das comunidades quilombolas, “se fizerem um, farão os outros”, imputa-se ao empreendimento uma interferência indireta que não é cabível.

Esclareça-se, por fim, que a UHE Tijuco Alto não causará impactos de espécie alguma nas comunidades quilombolas. O que persiste é, antes de tudo, uma questão política decorrente dos ritos e normas tanto do setor elétrico como ambiental, que determinou politicamente a motivação dos quilombolas, organizadas no Movimento Contra Barragens.

A CBA foi antecipada na compra das terras. E ainda deixou um enorme passivo social!

Com os primeiros estudos de impacto ambiental, o empreendedor começou a adquirir as terras rurais necessárias à formação do reservatório, de forma expressiva em 1988. Isto se deu porque o antigo DNAEE – Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica condicionava a aprovação do projeto à comprovação de domínio sobre as terras, inclusive as do reservatório.

No período 1988-92 foi adquirida a maior parte das terras necessárias, sendo que em 1999 esse processo foi interrompido. Ao todo foram adquiridos pela CBA 377 imóveis, compreendendo 286 proprietários. Pesquisa efetuada revelou que a maioria dos proprietários que venderam seus imóveis à CBA continua residindo na região, sendo que 30% se deslocaram para os centros urbanos e 45% residem em bairros rurais.

Outro aspecto a se ressaltar é que o processo de negociação levado à época voltava-se exclusivamente aos proprietários dos imóveis, sendo que os mesmos deveriam se responsabilizar pelos meeiros, arrendatários e empregados que moravam ou trabalhavam em suas terras. Entretanto, sem o comprometimento dos proprietários em ressarcir suas perdas, as classes de trabalhadores rurais sem o domínio das terras acabaram por ter que deixar as propriedades sem qualquer perspectiva de trabalho ou local de moradia.

Diferentemente do que foi feito, o estudo atual propõe e a CBA assume o compromisso de ampliar o plano de reassentamento rural, contemplando pequenos proprietários e não proprietários.

Pesquisa efetuada no final do ano de 2005 com todas as famílias residentes na área do reservatório indicam que, de todas as famílias de não proprietários à época que a CBA adquiriu as terras, 31 não moram atualmente naquela área. Estes, a exemplo dos não proprietários que ainda residem no local, deverão ser contemplados pelo novo programa de reassentamento rural.

   
 
 
 
 
 
 
   
 
 
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