Meio Físico

Cerca de 70% da área atingida pelo reservatório é formada pelos granitos Três Córregos, que ocupam toda a área central e norte-ocidental da região estudada. Quanto às rochas metassedimentares predominam as pertencentes à unidade superior do Grupo Açungui, constituídas por metassiltitos, filitos, metarritmitos e ardósias, reunidos simplificadamente em unidade metapelítica, e os metacalcários, que são predominantes em boa parte da região, principalmente de Ribeira/Adrianópolis até pouco depois do rio do Rocha, já no município de Cerro Azul. Essas rochas calcárias apresentam uma dureza menor que as rochas graníticas, mas se prestam também a sustentação de estruturas como estradas, barragens etc.

Considerando o contexto geológico das regiões sul e sudeste do Brasil, o Vale do Ribeira é considerado uma importante província metalogenética, ou seja, de riqueza em minérios. As ocorrências principais são de minerais metálicos, como chumbo e zinco, além de prata, cobre e ouro, este último aparecendo também nas margens dos rios que sofreram processo de erosão. Registram-se, ainda, os minerais não-metálicos, de largo uso industrial, como calcário, granito, caulim, talco, feldspato, barita, vermiculita, fluorita, mica, mármore, areia, cascalho, argila e saibro.

Com relação ao relevo há o predomínio de morros e montanhas que foram dissecados, ou seja, desenhados pelos rios que compõem a bacia. Com declives acentuados e altitudes que chegam a 930 metros.

Declividades mais acentuadas encontram-se próximas ao vale do Ribeira, englobando uma faixa aproximada entre as cidades de Ribeira e Adrianópolis e um de seus principais afluentes, o ribeirão do Rocha, no domínio dos calcários. Já as declividades mais baixas, encontram-se na parte central da região ao norte de Cerro Azul.

Os solos predominantes na área são os constituídos de material mineral. Encontrados em terraços de córregos e também em áreas de relevo montanhoso. Apresentam, quase sempre, pedregosidade ou rochosidade. São mais utilizados para reflorestamento e/ou pastagem plantada. São muitas as dificuldades para a utilização agrícola, como erosão e relevo muito acidentado, o que impede a utilização de máquinas. Nas unidades de relevo mais suave desenvolve-se a maior parte das atividades agrícolas como pastagem plantada e a exploração com lavouras.

O Rio Ribeira, no trecho compreendido entre Cerro Azul e Adrianópolis, apresenta características de montanha, com baixas temperaturas, alto poder de oxigenação, baixas concentrações de elementos químicos e com baixa atividade biológica. Os rios da região apresentam condições para serem utilizados como mananciais de abastecimento, desde que suas águas sejam pré-tratadas de forma convencional.

Uma das conclusões a que se chegou nos estudos sobre qualidade das águas superficiais é de que, devido à preponderância de condições oxidantes (≈ meios alcalinos + concentrações elevadas de oxigênio dissolvido), os processos de precipitação dos cátions metálicos foram sempre favorecidos, não tendo sido detectado (dentro do intervalo de concentração de interesse sanitário) chumbo nas amostras de água em nenhuma coleta. No entanto, nas amostras de sedimento este metal foi sempre perceptível.

Experiências relatadas em trabalhos técnicos publicados em 2002 (Bitar, A. L.; Antonio, R. M.; Bianchini Jr., I. Degradação anaeróbia de folhas, galhos, cascas e serapilheira. Acta Limnologica Brasiliensia, 14(2): 17-26. 2002), onde se verificou o tamponamento da água do rio Ribeira com relação ao pH, em condições aeróbicas e não aeróbicas, frente a níveis diferenciados de adição de várias fontes de matéria orgânica, constataram que o pH, mesmo em condição anaeróbica (que deverá refletir a porção mais profunda do reservatório), depois de curto período onde desce a cerca de 5,0, eleva-se a valores   entre 7 a 8, considerando-se a fração casca e galhos.

Com base nestes experimentos e, considerando as ações de desmatamento previstas para a área do reservatório, supõe-se que devido às características das águas do  rio Ribeira (alcalina e tamponada) e aos baixos teores de fitomassa remanescente, o reservatório não deverá se constituir num ambiente ácido; essa característica deverá ser mantida desde o início de sua formação. Caso ocorram rebaixamentos dos valores de pH estes deverão ser pontuais, efêmeros e de pouca intensidade. Ao serem mantidos os atuais valores de pH (»meio neutro-alcalino) e concentrações de oxigênio dissolvido, tais eventos favorecerão a precipitação e a imobilização química de nutrientes (e.g. P) e de cátions metálicos (e.g. Pb, Cu, Zn, Fe), atenuando o potencial de eutrofização e de contaminação do reservatório.

Está previsto para o reservatório de Tijuco Alto um desmatamento da ordem de 60% e em alguns locais como o vale do rio do Rocha em 90%, como forma de garantir a qualidade das águas.

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Está previsto para o reservatório de Tijuco Alto um desmatamento da ordem de 60% e em alguns locais como o vale do rio do Rocha em 90%, como forma de garantir a qualidade das águas.

A implementação de ações preventivas de desmatamento e limpeza da área de inundação considerou uma estimativa baseada na aplicação de técnicas de modelagem matemática, tendo por base as características hidrometeorológicas, os ensaios de biodegradação da vegetação realizados em laboratório, além de informações disponíveis em trabalhos sobre outros reservatórios já implantado.

     
   
 
 
 
 
 
 
   
 
 
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