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Controle
de cheias
Dentre as cheias observadas na bacia destaca-se a
ocorrida em janeiro de 1997, que apresentou uma vazão
de pico de 2.385 m3/s no local do eixo de Tijuco Alto,
cuja magnitude aproxima-se de uma ocorrência
com período de retorno de 100 anos. As inundações
causadas por este evento atingiram extensas áreas
da zona rural de 16 municípios do Vale do Ribeira
causando perdas de vidas e deixando cerca de 15.400
pessoas desabrigadas. Na região agrícola
as conseqüências mais significativas ocorreram
entre os municípios de Eldorado e Iguape, sendo
atingidos cerca de 26 milhões de pés
de banana, com perdas da ordem de 90%, ou seja, 23,4
milhões de pés, ou 325.000 toneladas
de banana, afetando também outras culturas,
como arroz, feijão, maracujá, milho etc.
Observa-se, também, que este evento foi o maior
registrado nas estações fluviométricas
de Eldorado e Registro.
Com o objetivo de minimizar
a ocorrência destas catástrofes, o controle
de enchentes na bacia do rio Ribeira de Iguape associado à implantação
de barragens visando o aproveitamento hidrelétrico sempre foi uma das
principais aspirações dos organismos e entidades públicas
responsáveis pela política de gestão dos recursos hídricos
na região.
A eficiência deste controle está relacionada à disponibilidade
de se prover volumes de espera nos reservatórios e na utilização
de regras operacionais integradas para as manobras das comportas dos aproveitamentos
participantes da cascata.
Com uma área de drenagem de 6.340 km², ou seja, aproximadamente 25%
da área total da bacia hidrográfica do rio Ribeira de Iguape, a
Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto é capaz de reter um volume de
476,51 x 106 m³ para o controle de cheias. Isto corresponde a 10 m
de altura, entre as cotas 290 m e 300 m.
Este volume tem a capacidade de abrigar a maior parte das enchentes ordinárias
e extraordinárias afluentes ao reservatório e corresponde a 19%
do volume total do reservatório e 2,3 vezes o volume útil destinado à geração,
o qual ocupa uma área de 8,0 km² do reservatório.
Considerando-se estas características operacionais, foram avaliados os
benefícios auferidos na redução dos níveis de enchentes
a jusante da UHE Tijuco Alto, no trecho do rio Ribeira de Iguape compreendido
entre as localidades de Ribeira e Sete Barras. As análises basearam-se
na aplicação de técnicas de modelagem matemática,
cuja ferramenta permitiu representar o comportamento do regime de vazões
do rio Ribeira de Iguape que será alterado pela implantação
e operação da UHE Tijuco Alto. As simulações
consideraram o cenário relativo à cheia ocorrida em 24 de janeiro
de 1997, o maior identificado na série histórica de vazões.
Verifica-se
que no trecho do rio Ribeira logo a jusante de Tijuco Alto, particularmente junto às
cidades de Ribeira e Adrianópolis, o controle das cheias é altamente
significativo, com um abatimento do pico da onda de cheia
da ordem 70% e respectiva redução dos valores
de níveis d’água de 8,2 m. Isso significaria
que, se ocorresse uma cheia igual à de 1997, a
cidade de Ribeira não sofreria as mesmas inundações
e a ponte sobre o rio Ribeira não seria também
arrastada.
Este efeito é progressivamente reduzido à medida
que se dirige para jusante, face às afluências
das contribuições laterais recebidas ao
longo de seu percurso. Os maiores benefícios promovidos
pelo aproveitamento, no que se refere ao controle de
cheias, ocorrem quando as chuvas ocorrem na parcela da
bacia situada a montante do eixo de Tijuco Alto.
Em condições
meteorológicas inversas, quando chove nas porções
médias e baixas da bacia, os efeitos de amortecimento das ondas de cheias
serão atenuados ou mesmo anulados, já que a principal parcela das
vazões contribuintes deverá provir das porções a
jusante do eixo, portanto fora da influência do controle operacional de
Tijuco Alto.
Já na cidade de Registro, estima-se que os abatimentos das
ondas de cheias motivados pela presença da UHE Tijuco Alto serão
sensivelmente menores em função da expressiva contribuição
oriunda da bacia do rio Juquiá que compreende uma área de aproximadamente
de 5.450 km2. Interessante citar que, visando minimizar a ocorrência de
cheias do baixo curso do rio Ribeira de Iguape, passou a ser contemplada a implantação
de uma barragem de regularização no rio Juquiá, a jusante
da cidade de mesmo nome, que poderia ser utilizada também para reversões
de água para a Região Metropolitana de São Paulo.
Assim,
de acordo com as análises realizadas, conclui-se
que a implantação da UHE Tijuco Alto trará um
expressivo benefício no controle de cheias, com
abatimentos das ondas de cheias observadas até a
localidade de Sete Barras.
No Quadro a seguir são apresentados os benefícios
auferidos pelos abatimentos das ondas de cheias em diversos
municípios situados a jusante de Tijuco Alto e lateralmente
ao curso do rio Ribeira, os quais são afetados pelas
ondas das grandes cheias que veiculam nesse manancial.
Como
referência foram considerados os locais das
réguas limnimétricas,
operadas pelo DAEE e pelo CNEC, situadas nos respectivos municípios considerados.
Local |
Condições
médias
(m) |
Cheia
de Janeiro de 1997
(m) |
Altura
da lâmina d’água em relação às
condições médias
(m) |
Sem
Tijuco Alto |
Com
Tijuco Alto |
Sem
Tijuco Alto |
Com
Tijuco Alto |
Tijuco Alto |
167,7 |
182,8 |
174,6 |
15,1 |
6,9 |
Ribeira |
156,7 |
165,2 |
161,1 |
8,5 |
4,4 |
Itaóca |
0,9 |
7,2 |
4,1 |
6,3 |
3,2 |
Iporanga |
1,1 |
8,0 |
5,4 |
6,9 |
4,3 |
Eldorado |
1,9 |
13,1 |
8,9 |
11,2 |
7,0 |
Sete Barras |
1,1 |
9,2 |
7,0 |
8,1 |
5,9 |
No Quadro os níveis d’água máximos
da cheia ocorrida em janeiro de 1997 são comparados
com os valores médios observados nas respectivas
estações fluviométricas.
Verifica-se
que os benefícios decorrentes do aproveitamento
de Tijuco Alto são progressivamente decrescentes
na medida em que se dirige para jusante, conforme já citado,
face às afluências das contribuições
laterais recebidas ao longo de seu percurso, os quais
se encontram fora do controle da operação
da usina.
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